Boas vindas

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PELO FIM DA OPRESSÃO ÀS MULHERES NAS IGREJAS EM GERAL

Artigo de Waldicéia de M. T. da Silva disponível em:

http://www.artigonal.com/religiao-artigos/pelo-fim-da-opressao-as-mulheres-nas-igrejas-em-geral-2929331.html


Como pastora conferencista, palestrante e pregadora da Palavra de Deus, comprometida com a responsabilidade de conscientizar os cristãos e as cristãs da necessidade de vivermos o efeito igualador do evangelho, garantido por Jesus Cristo na cruz do calvário; sempre fico em oração nos últimos quinze dias do ano que termina e nos primeiros quinze dias do novo ano, pedindo a Deus uma palavra profética que possa fazer a diferença na vida de homens e de mulheres que decidiram colocar Jesus Cristo em primeiro lugar nas suas vidas.

A palavra profética que Deus me deu em 2009 foi "AS MULHERES CRISTÃS QUEREM VIVER O EFEITO IGUALADOR DO EVANGELHO". Avaliando o alcance dessa palavra profética nas conferências, palestras, pregações, etc.; realizadas em congressos, seminários, confraternizações, acampamentos, colóquios, orkut, afrokut, blog, etc.; pudemos ver Deus agindo na vida de homens e de mulheres que foram impactados e impactadas, muitas das vezes depois de se indignarem, de criticarem e de julgarem, mas foram convencidos e convencidas pelo Espírito Santo de Deus do pecado, da justiça e do juízo que cometiam, por falta de conhecimento e, puderam renovar as suas mentes, as suas vontades e as suas emoções, submetendo-as única e exclusivamente aos princípios defendidos por Jesus Cristo, na Bíblia Sagrada.

Após trinta dias em oração, a PALAVRA PROFÉTICA que Deus me deu para2010 é "PELO FIM DA OPRESSÃO ÀS MULHERES NAS IGREJAS EM GERAL".

Segundo o filólogo Aurélio Buarque de Holanda opressão é o ato ou efeito de oprimir,
exercício exagerado de poder ou de violência sobre indivíduos ou grupos, tirania, dificuldade de respirar, sufocação e oprimir é sobrecarregar com peso, apertar, comprimir, afligir, tiranizar, humilhar, vexar, causar opressão.

Infelizmente, contrariando os princípios defendidos por Jesus Cristo, ao longo de dois mil e nove anos, temos visto nas igrejas em geral, as mulheres sendo expostas a todo tipo de opressão, provocadas por homens de Deus e por mulheres de Deus.

As opressões em geral se manifestam de forma direta e/ou de forma indireta.

As opressões de forma direta são caracterizadas pelo(a):

  • ato de oprimir;
  • exercício exagerado de poder;
  • violência sobre indivíduos.

Podemos perceber as opressões de forma direta, através do ato de oprimir, quando existe a proibição de que as mulheres:

  • entrem nas assembléias das convenções de suas denominações;
  • assistam as assembléias das convenções de suas denominações;
  • tenham o direito de voz e de voto nas assembléias das convenções de suas denominações;
  • Se filiem as convenções de suas denominações;
  • ocupem o púlpito e só dirijam as reuniões do círculo de oração, da união feminina, da assistência social, etc.; em "mesinhas" colocadas embaixo do púlpito;
  • sejam ordenadas a pastoras, evangelistas, presbíteras e diaconisas;
  • dirijam igrejas;
  • dirijam cultos públicos;
  • se candidatem aos cargos de presidente e vice-presidente da igreja;
  • dirijam institutos, seminários, faculdades, universidades bíblicos;
  • doutrinem, ensinem e preguem em cultos públicos, etc.

Podemos perceber as opressões de forma direta, nas igrejas que já avançaram um pouco, através do exercício exagerado de poder, quando existe a proibição de que as mulheres:

  • ocupem o púlpito de calça comprida e sem mangas e, ao homem é facultado ocupar o púlpito com o traje que escolher;
  • cantem no coral de calça comprida e sem mangas e, ao homem é facultado cantar com o traje que escolher;
  • toquem instrumentos musicais na orquestra, de calça comprida e sem mangas e, ao homem é facultado tocar com o traje que escolher;
  • atuem como diaconisas, presbíteras, evangelistas e pastoras, de calça comprida e sem mangas e, ao homem é facultado atuar nos mesmos cargos com o traje que escolher, etc.

Podemos perceber as opressões de forma direta, nas igrejas que já avançaram um pouco, através da violência sobre indivíduos, quando determinadasmulheres que sugerem, criticam e questionam são proibidas de:

  • serem ordenadas a pastoras, evangelistas, presbíteras e diaconisas e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são ordenadas;
  • dirigirem igrejas e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são enviadas para dirigir;
  • dirigirem cultos públicos e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são designadas para dirigir;
  • se candidatarem aos cargos de presidente e vice-presidente da igreja e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são indicadas para concorrerem aos mesmos;
  • dirigirem institutos, seminários, faculdades, universidades bíblicos e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são convidadas para dirigi-los;
  • doutrinarem, ensinarem e pregarem em cultos públicos e as demais mulheres que se calam, se conformam e se resignam são escaladas para doutrinar, ensinar e pregar nos referidos cultos, etc.

As opressões de forma indireta são caracterizadas pelo(a):

  • efeito de oprimir;
  • violência sobre grupos;
  • sobrecarga com peso.

Podemos perceber as opressões de forma indireta, através do efeito de oprimir, quando as mulheres sem mais suportar a opressão na igreja:

  • desistem de sugerir, criticar e questionar;
  • se calam, se conformam e se resignam;
  • desistem do exercício de seus ministérios;
  • adoecem acometidas de enfermidades como estresse, depressão, síndrome do pânico, etc.

Podemos perceber as opressões de forma indireta, através da violência sobre grupos, quando aos poucos departamentos da igreja liderados por mulheres:

  • são negadas verbas para investimento e as mulheres precisam gerar recursos através de bazares, festas, cantinas, etc.; enquanto que nos departamentos liderados por homens as verbas são liberadas com presteza;
  • há o corte de verbas, tendo as mulheres de complementá-las com bazares, festas, cantinas, etc.; enquanto que nos departamentos liderados por homens o corte não acontece;
  • são exigidos o cumprimento de metas difíceis de serem alcançadas enquanto que nos departamentos liderados por homens, as metas exigidas são factíveis;
  • são os únicos departamentos em que as mulheres podem doutrinar, ensinar e pregar, etc.

Podemos perceber as opressões de forma indireta, através da sobrecarga com peso, quando se exige das poucas mulheres que ocupam cargos na igreja:

  • entrarem e assistirem as assembléias das convenções de suas denominações, porém sem direito a se filiarem e sem direito a voz e ao voto;
  • terem o direito de se candidatarem apenas aos cargos de secretária e/ou tesoureira, na diretoria da igreja;
  • executarem as funções de pastora, evangelista, presbítera e diaconisa, no entanto, sendo proibidas de receberem esses títulos e recebendo o título de missionárias;
  • um desempenho acima do desempenho exigido dos homens que também ocupam e/ou ocuparam o mesmo cargo;
  • uma dedicação de tempo integral, sem remuneração, quando aos homens que ocupam e/ou ocuparam o mesmo cargo não se exige e/ou exigia essa dedicação e os mesmos eram remunerados para o exercício do cargo;
  • entregarem o cargo, muitas das vezes por telefone, sem nenhuma justificativa plausível quando aos homens, normalmente existe uma reunião formal para que se dê a entrega do cargo, além de, ao mesmo tempo, elevá-lo a um outro cargo, de preferência superior ao que está deixando;
  • exercerem o seu ministério em parceria com o marido, realizando as mesmas funções que ele e, o marido recebe o título de pastor, evangelista, presbítero e diácono e a mulher é proibida de recebê-los, além de o marido ser remunerado e a mulher não, etc.

Na Bíblia Sagrada, em Zc. 9. 8, 12, Deus faz uma promessa de proteção para Judá, enquanto seus vizinhos estiverem nas garras dos opressores e das opressoras (14): "Defenderei a minha casa contra os invasores e as invasoras. Nunca mais um opressor ou uma opressora passará por cima do meu povo, porque agora eu vejo isso com os meus próprios olhos. Voltem à sua fortaleza, ó prisioneiros, ó prisioneiras da esperança; pois hoje restaurarei tudo em dobro para vocês".

Em 2010, as promessas de Deus para as mulheres que foram e/ou estão sendo oprimidas por homens e mulheres, nas igrejas em geral, são:

  1. Deus está vendo com os seus próprios olhos, cada uma das opressões de que as mulheres de Deus têm sido vítimas na Casa de Deus;
  2. Deus defenderá cada mulher de Deus contra todas as opressões de que têm sido vítimas na Casa de Deus;
  3. Deus nunca mais permitirá que os opressores e as opressoras, que têm agido na Casa de Deus, passem por cima das mulheres de Deus;
  4. Deus restaurará em dobro tudo que foi perdido por cada mulher de Deus, pela opressão sofrida na Casa de Deus.

Mas, para que você mulher, viva essas promessas em sua vida, a partir do ano de 2010, precisa tomar alguns posicionamentos:

    • colocar realmente Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo em primeiro lugar na sua vida;
    • admitir que você está sendo oprimida;
    • identificar que tipo de opressão você está sofrendo;
    • ter a coragem de jejuar, orar e pesquisar a Palavra de Deus para descobrir tudo que Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo dizem contra a opressão;
    • ir a Casa de Deus com o compromisso de não olhar para os opressores e as opressoras e sim para Deus, para Jesus Cristo e para o Espírito Santo;
    • voltar a Casa de Deus, como prisioneira da esperança de que, o que diz a Palavra de Deus contra a opressão prevalecerá, EM NOME DE JESUS!

(Artigonal SC #2929331)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fazendo o processo

Caras irmãs, Caros irmãos, paz e bem!
Colocamos um ícone (pasta) ao lado contendo os currículos de algumas pessoas, com as quais estamos em contato sobre o pós-graduação. Seria interessante cada uma e cada um olhar para podermos ampliar o diálogo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O estupro como arma de guerra

Disponível em
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=33781

Um mês depois de começar minha primeira viagem pelo Congo, palco do conflito mais mortífero desde a 2.ª Guerra, eu já tinha ouvido um considerável número de histórias de horror - do canibalismo forçado a casos em que habitantes de vilarejos inteiros foram queimados vivos. Tornei-me cada vez mais resistente ao choque de tais relatos. Mas uma conversa com uma funcionária de agência humanitária me deixou perplexa.

O artigo é de Lisa Shannon, escritora e fundadora da Organização Run for Congo Women, publicado pelo jornal The International Herald Tribune, e reproduzido n'O Estado de S. Paulo, 26-06-2010.

Em fevereiro de 2007 cheguei a Baraka, cidade às margens do Lago Tanganica repleta de soldados congoleses e funcionários de agências internacionais de ajuda humanitária. Perguntei a uma despenteada europeia que trabalhava para a ONU sobre a segurança no local. Entusiasmada, ela descreveu seu projeto de estimação, uma campanha em vídeo para convencer os refugiados na vizinha Tanzânia de que era seguro voltar para casa. "As milícias estrangeiras foram embora", disse ela. "No momento há apenas estupros e saques. Acabaram-se os ataques." Perplexa, perguntei a ela se a alta incidência de estupros não seria considerada um risco à segurança. "Aqui, os estupros são muito comuns", disse ela. "É uma questão cultural."

Esta foi a primeira de muitas vezes em que ouvi a importância dos estupros em massa noCongo ser reduzida para "algo cultural". A violência sexual no Congo está entre as piores do mundo. A ONU estima que centenas de milhares de mulheres tenham sido vítimas de estupros, tortura e escravidão sexual desde o início do conflito, em 1998. Foi naquele ano que grupos armados começaram a se comportar como máfias, lutando pelo controle dos minerais no leste do Congo. Para garantir o controle sobre o território, as milícias usam o estupro como arma.

Em maio, o Senado americano incluiu em sua proposta de lei para a regulação financeira um dispositivo exigindo das empresas públicas que se certifiquem de não comprar minerais extraídos das minas controladas pelos milicianos no Congo. Tais iniciativas são bem-vindas, ainda que aprovadas tão tardiamente.

Ainda assim, nós, ocidentais, temos o desagradável hábito de facilitar as coisas e enxergar o estupro como uma parte aceita de uma cultura estranha, e não como uma ferramenta de guerra que poderíamos ajudar a banir. Com frequência, transformamos os homens congoleses no inimigo, sem distingui-los daqueles que andam armados aterrorizado a população. Ao representar a violência como um conflito entre "homens e mulheres" ou reduzir a importância da crise como traço "cultural", cometemos uma grande injustiça com os homens congoleses. Em vez de ajudar, fazemos a eles um insulto implícito: sentimos muito, mas... bem, é assim que vocês são.

Esta percepção é muito difundida. Trabalho constantemente com congolesas, e me vejo dedicando muito tempo à defesa dos homens congoleses, seja durante um churrasco ao discutir com um bilionário sobre os "rituais tribais africanos de estupro" ou ao participar de um painel ao lado de um defensor dos direitos humanos que não para de falar a respeito das "raízes culturais da violência sexual no Congo".

Recentemente, a representante especial da ONU para os casos de violência sexual em situações de conflito, Margot Wallstrom, descreveu esta mentalidade como "a duradoura percepção da violência sexual como tradição, e não como tática deliberadamente escolhida".

Qualquer congolês pode lhe dizer que o estupro não é "tradicional". O crime existia noCongo antes da guerra, assim como em outras partes do mundo. Mas a proliferação da violência sexual deu-se com a guerra. Agora, tanto milicianos quanto soldados congoleses usam o estupro como arma. Na ausência de autoridade que a coibisse, a violência sexual assolou o leste do Congo, palco de seguidos combates. Isto não faz do estupro algo cultural; torna-o fácil de cometer. Existe uma diferença entre as duas coisas.

Os analistas costumam falar em "cultura de impunidade" para descrever o Congo. John Prendergast, que trabalhou por 25 anos em zonas africanas de conflito, explica: "O estado de direito desfaz-se e os perpetradores passam a cometer crimes sem temer a condenação e o castigo. Com o tempo, isto leva a um colapso maior dos códigos da sociedade e do próprio tecido social de uma comunidade."

A mídia, os funcionários das ONGs e os ativistas omitem consistentemente as histórias de homens congoleses que foram mortos por combatentes ao ter se recusado a estuprar. Descrever a violência no Congo como algo "cultural" é mais do que ofensivo. É perigoso. A funcionária europeia que descreveu a violência como traço "cultural" estava, com isso, sugerindo que as mulheres congolesas devem ter a expectativa de ser estupradas e se omitindo da responsabilidade de alertar as refugiadas sobre a ameaça à sua segurança.

Quando rotulamos o estupro no Congo como algo "cultural", estamos nos eximindo de toda responsabilidade. E isto é uma questão cultural. Um traço da nossa cultura.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Encontro e tarefa

Após o nosso encontro do dia 12/05, no qual partilhamos nossas impressões e reflexões sobre o primeiro capítulo do livro "Caminhos da Sabedoria", de Elisabeth Schüssler Fiorenza, nos propomos a tarefa de analisar o texto 1Cor 11, 2-16 sob o prisma dos vários paradigmas, propostos no capítulo estudado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

OIT: mulher ainda está longe da igualdade profissional


11/06/2009 - 20h52

Acesso: <http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=28554>

Fábio Góis


A dificuldade de conciliação entre trabalho e família é uma das principais causas da desigualdade profissional entre homens e mulheres. Essa é uma das conclusões a que chegou o estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em Genebra, na Suíça.

"As tensões entre trabalho e família estão gerando altos custos para as mulheres, para as pessoas que requerem cuidados e também para o crescimento econômico dos países, o bom funcionamento do mercado de trabalho e a produtividade das empresas", diz a OIT.

Elaborado em conjunto com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, o relatório O Desafio do Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal revela que, apesar das conquistas dos últimos anos, ainda está longe do ideal, em relação aos homens, a condição feminina no mercado do trabalho.

O estudo considera que ainda é muito lenta a desvinculação do trabalho doméstico do sexo feminino. "O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite que a mulher continue arcando de forma unilateral, quando não exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência aos membros da família, e seu engajamento no mercado de trabalho permanece marcado por esse papel", destaca trecho do relatório, que englobou as relações de trabalho na América Latina e no Caribe, onde 100 milhões de mulheres compõem o marcado de trabalho.

A OIT considera um avanço o fato de que "53% das mulheres da América Latina e do Caribe estão incorporadas atualmente ao mercado de trabalho, uma proporção que chega a 70% se forem consideradas as mulheres entre 20 e 40 anos".

O estudo sugere que, para minimizar os prejuízos causados pela relação entre trabalho e vida doméstica, políticas públicas devem ser implementadas para as mulheres, com a construção de creches, pré-escolas e centros de atendimento à mulher. Também são propostos modelos de gestão profissional que promovam a compatibilização entre a vida no mercado de trabalho, a familiar e a pessoal, de maneira que a capacidade produtiva das mulheres seja reconhecida.


Veja também o "Relatório regional": <http://www.oitbrasil.org.br/topic/gender/doc/5_relatorio_regional.pdf>

sábado, 30 de maio de 2009

Mulheres foram ordenadas até o século XII, diz teólogo historiador

Fonte: <http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22589>

Gary Macy, professor de teologia na universidade Santa Clara, confiada à Companhia de Jesus, nos Estados Unidos, disse aos participantes de uma conferência naVanderbilt University Divinity School, em Nashville,Tennessee, que existe um espaço de dúvidas históricas sobre o fato de mulheres terem sido ordenadas na Igreja católica até o fim do século XII.

A conferência de Macy, intitulada "Um chamado superior para as mulheres? Perspectivas históricas na Igreja católica", foi apresentada na Benton Chapel, no campus da universidade.

A nota publicada pela universidade descreveu a conferência desta forma: "A própria ideia da ordenação de mulheres na Igreja Católica Romana é descartada por muitos como contrária à doutrina básica da Igreja. Gary Macy, detentor da cátedra John Nobili SJ de teologia na Universidade Santa Clara, afirma que as evidências históricas são impressionantes, no sentido de que, durante grande parte da história da Igreja, a ordenação de mulheres foi um fato".

Macy assumiu seu cargo na Universidade Santa Clara em setembro de 2007. Antes disso, lecionou na Universidade de San Diego por 29 anos. "Em San Diego, Dr. Macy publicou diversos livros e mais de 20 artigos sobre a teologia e a história da Eucaristia e sobre a ordenação de mulheres", afirma a Universidade Santa Clara. Entre seus livros está "The Hidden History of Women's Ordination" [A história oculta da ordenação de mulheres, em tradução livre], de 2007.

De acordo com Macy, até a metade do século XII, as mulheres eram ordenadas diaconisas, serviam como bispas, distribuíam comunhão e até ouviam confissões. "As mulheres eram cogitadas para a ordenação como qualquer homem. Elas eram consideradas parte do clero", disse.

Na metade do século XII, disse Macy, uma mudança profunda ocorreu na compreensão da Igreja com relação ao conceito da ordenação, como uma consequência de considerações políticas, já que a Igreja buscava proteger sua propriedade dos senhores feudais ao inventar "uma classe clerical separada".

Teólogos chegaram a considerar as mulheres como "metafisicamente diferentes de outras pessoas". Por isso, pelo simples fato de serem femininas, as mulheres eram consideradas incapazes de ser ordenadas. "As mulheres nunca foram ordenadas, não são ordenadas agora e nunca poderão ser ordenadas", disse Macy, referindo-se à posição que os canonistas assumiram.

Desse ponto de vista da história, disse Macy, a ordenação feminina é uma questão histórica factual, mesmo admitindo que o problema teológico é uma questão em separado. No entanto, afirmou, "no final do século XII, o debate acabou".

A mudança no pensamento da Igreja sobre a ordenação de mulheres apresenta um dilema para os teólogos, disse Macy, porque, se as ordenações de mulheres durante os primeiros 1.200 anos da Igreja não foram "reais", então "os homens também não foram ordenados". Ele disse que a mudança de pensamento sobre a questão ocorreu como consequência de uma "virulenta misoginia" influenciada por Aristóteles.

Para ilustrar seu problema com a ideia de que as mulheres são metafisicamente diferentes dos homens, Macy apresentou a questão: "É possível ordenar um hermafrodita?". Ele respondeu sugerindo que, se um hermafrodita for biologicamente mais masculino do que feminino, sim, pode ocorrer uma ordenação válida. Mas, se a pessoa for mais feminina do que masculina, as ordenações "não ocorrem", disse.

Durante o debate após a sua conferência, perguntaram a Macy se ele tinha "esperança" com relação ao papel futuro das mulheres na Igreja. "Eu estou muito esperançoso", disse. "Eu sou muito otimista" porque há "uma nova estrutura emergindo" dentro da Igreja. "Eu não espero mais que alguma mudança venha dos bispos ou do papado", disse Macy. "Mas está bem. No passado, a mudança não veio deles, e não tem que vir deles agora. E, quando a mudança ocorrer, já se sabe o que eles vão dizer: 'Essa é a maneira que nós sempre fizemos'".

Macy indicou que 80% dos trabalhos nas paróquias são realizados por leigos e que 80% deles são mulheres. Com relação aos padres ordenados, "eles estão desaparecendo", disse.

"O Espírito Santo está vivo e bem", disse Macy. "E o que Ela quer, Ela consegue".