Boas vindas
sexta-feira, 6 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
A persistência histórica do patriarcado
Boaventura de Sousa Santos é doutor em Sociologia do Direito e professor das universidades de Coimbra (Portugal) e de Wisconsin (Estados Unidos).
Eis o artigo.
Não há natureza humana assexuada; há homens e mulheres e, para alguns, outros sexos. Falar de natureza humana sem falar na diferença sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos do que a dos homens. Sob formas que variam conforme o tempo e o lugar, as mulheres foram consideradas como seres cuja humanidade é problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a dos homens. À dominação sexual que este preconceito produz chamamos patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura patriarcal.
A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas cotidianas continuam a reproduzir o preconceito e a desigualdade. Ser feminista significa reconhecer que tal discriminação existe e é injusta e desejar ativamente que ela seja eliminada. Nas atuais condições históricas, falar de natureza humana como se fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico ou político, é aliar-se ao patriarcado.
A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para Aristóteles, a mulher é um homem mutilado, e para São Tomás de Aquino, sendo o homem o elemento ativo da procriação, o nascimento de uma mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre a serviço da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o capitalismo e o colonialismo. No romance Os Três Guinéus (1938), em resposta a um pedido de apoio financeiro para a guerra, Virginia Woolf recusa e, recordando a marginalização das mulheres no país, afirma provocativamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não quero ter país. Como mulher, meu país é o mundo inteiro”.
Durante a ditadura em Portugal, as Novas Cartas Portuguesas, publicadas em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que sustentava a guerra colonial na África. “Angola é nossa” era o correlato de “as mulheres são nossas (de nós, homens)”, e no sexo delas se defendia a honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque justamente percebido como um libelo contra a guerra colonial, e suas autoras só não foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos, no 25 de abril de 1974.
A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas, hardcore e softcore. A versão hardcore é o catálogo da vergonha e do horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas de violência doméstica. Em Cidade Juárez (México) foram assassinadas nos últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado conhecido por femicídio. Em vários países da África continua se praticando a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as mulheres nem sequer tinham certidão de nascimento. No Irã, a vida de uma mulher vale metade da de um homem num acidente de trânsito; em um tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas mulheres; em caso de adultério, a mulher pode ser apedrejada até à morte, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.
A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias, instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores, mas, pelo contrário, porque são consideradas superiores no seu espírito de abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis. Como é uma disposição natural, não há sequer que lhes perguntar se aceitam os encargos ou em que condições. Em Portugal, por exemplo, os atuais cortes nas despesas sociais do Estado vitimizam em particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do cuidado de pessoas dependentes (crianças, idosos, doentes, pessoas com deficiência). Se os doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o trabalho doméstico faz com que Portugal tenha uma das taxas de fecundidade mais baixas do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível com desejar mais pessoas vivas. E isto é apenas uma expressão extrema de algo que está acontecendo em toda parte.
Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos, outra dimensão particularmente perversa: a de criar na opinião pública a ideia de que as mulheres são oprimidas e, como tais, são vítimas indefesas e silenciosas. Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de resistência e a capacidade de inovação política das mulheres.
É desse modo que se ignora o papel fundamental das mulheres na revolução do Egito ou na luta contra a pilhagem de terras na Índia; a ação política das mulheres que lideram municípios em tantas pequenas cidades africanas e sua luta contra o machismo dos líderes partidários que bloqueiam o acesso feminino ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens assassinadas em Ciudad Juárez; as conquistas das mulheres indígenas e islâmicas na sua luta pela igualdade e o respeito da diferença, transformando a partir de dentro as culturas às quais pertencem; as práticas inovadoras em defesa da agricultura familiar e as sementes tradicionais das mulheres do Quênia e de tantos outros países da África; a presença de mulheres nos movimentos antimineração (recordemos a morte de Betty Cariño Trujillo, em Oaxaca) e em todos os movimentos que lutam pelo reconhecimento da natureza como “bens comuns”, como acontece na Argentina; a palavra das mulheres palestinas que, quando perguntadas por auto-convencidas feministas europeias sobre o uso de anticoncepcionais, respondem: “Na Palestina, ter filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”.
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=42686
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Código Florestal Brasileiro
Você pode participar do abaixo-assinado que será enviado aos parlamentares em vista da não modificação do código, protegendo a natureza, é só acessar:
http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal
Você também pode saber mais a partir do site: http://www.sosflorestas.com.br/
Assista o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=p_3tXpu1-IM):
Encontro de 20/04/2011
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Continuando a refletir
José Comblin *
Caríssimo Arnaldo,
Você se lembra do golpe eleitoral que estourou na véspera do primeiro turno das eleições de 2010 quando apareceu todo um alvoroço sobre a questão do aborto. Esse alvoroço permaneceu durante todo o mês de outubro até o segundo turno. Nas igrejas e fora das igrejas foram distribuídos milhões de panfletos assinados pelos bispos da diretoria do regional Sul 1 para intimar os católicos a votar no candidato José Serra. O motivo era que os candidatos do PT, principalmente a candidata à presidência da república, queriam legalizar o aborto no Brasil e, por conseguinte, queriam implantar uma cultura de morte.
Esse incidente me levou a refletir um pouco sobre esse fato bastante estranho e o seu significado eclesial. Quero comunicar-lhe aqui alguma coisa dessas reflexões.
Os bispos denunciadores se diziam os defensores da vida, isto é, pessoas que lutam contra o aborto e lutam contra todos os políticos que defendem o aborto descriminalizado no Brasil. O seu linguajar foi o que usam os movimentos que se dizem defensores da vida porque condenam o aborto. Era um linguajar violento, condenatório. Somente por distração os autores esqueceram-se de comunicar que a descriminalização do aborto estava no programa do PV, e que o candidato Serra já tinha autorizado o aborto em certos casos quando era ministro da saúde, o que lhe valeu os protestos da CNBB. Com certeza foi um esquecimento por distração. Por discrição os bispos omitiram o que aconteceu um dia na vida do casal Serra, o que foi bom porque a vida privada não deve interferir com a vida pública
Sucede que a Igreja condena desde sempre o aborto, e estabeleceu uma pena de excomunhão para todos os que têm participação ativa. Conseguiu que houvesse no Brasil uma lei que criminaliza o aborto. Mas o Brasil é um dos países onde há mais abortos. Alguns dizem 70.000 por ano, outros estudos chegam a dizer que uma de cada 5 mulheres no Brasil já praticou um aborto. Sempre é um aborto clandestino e naturalmente é feito nas piores condições para os pobres. Pois para quem tem condições há clínicas particulares bem equipadas, conhecidas, porém jamais denunciadas pela Igreja. Sobre essas clínicas para os ricos o poder judicial fecha pudicamente os olhos. Afinal, trata-se de pessoas importantes, as condenações da Igreja não têm nenhum efeito. A lei da república não tem nenhum efeito. Os defensores da vida não conseguem defender nada. Falam, falam, mas sem resultado. Condenam, condenam, mas o crime se comete com a maior indiferença pelas condenações verbais ou legais. Falam, condenam e nada acontece. Eles se dão boa consciência achando que defendem a vida, mas não defendem nada. Há um lugar no evangelho em que Jesus fala das pessoas que falam e não fazem nada. Impedem a descriminalização, mas defendem a situação atual, ou seja, são defensores do aborto clandestino, que é a situação atual.
O seu argumento poderia ser que a descriminalização aumentaria o número de abortos. No entanto, a experiência de outros países mostra que, pelo contrário, diminui o número de abortos. Isto se explica facilmente. Pois uma vez que uma mulher pode falar abertamente em aborto, as autoridades podem com a ajuda de psicólogas, de assistentes sociais, de assistentes religiosos dialogarcom ela e buscar com ela outra solução, o que de fato acontece. Muitas mulheres não teriam feito o aborto se tivessem recebido ajuda moral ou material, quando estavam desamparadas.
Já que o documento era assinado por bispos, eu pensava que os bispos fossem explicar o que estão fazendo na pastoral da sua diocese para lutar contra o aborto clandestino, e fizessem propostas aos candidatos nas eleições na base das suas experiências pastorais. Mas não havia nada disso no panfleto. Teria sido interessante saber como fazia a pastoral diocesana para evitar que houvesse abortos. Mas não havia nada. Os bispos gritavam, assustavam, condenavam, mas não diziam o que faziam. Alguns leitores pensaram: já que não falam da sua pastoral para evitar o aborto, deve ser porque não existe essa pastoral. Falam contra o aborto, mas não fazem nada para evitá-lo. Condenam, e mais nada.
Pois, poderiam fazer muita coisa. Muitas mulheres que querem fazer o aborto, são mulheres angustiadas, perdidas, desesperadas que se sentem numa situação sem saída. Muitas querem o aborto porque os seus pais não aceitam que tenham uma criança. Outras são obrigadas a fazer o aborto pelo homem que as estuprou, e que pode ser o próprio pai, um irmão, um tio, um padrasto. Outras estão desesperadas porque a empresa em que trabalham, não permite que tenham criança. Outras são empregadas domésticas e a patroa não aceita que tenham que cuidar de uma criança. Então essas meninas ou moças ficam angustiadas e não sabem o que fazer. Não recebem atendimento, não recebem conselho, não recebem apoio nem moral nem material, porque tudo é clandestino e nem sequer se atrevem a falar com outras pessoas a não ser algumas amigas muito próximas. Não achando alternativa, a contra-gosto e com muito sofrimento recorrem ao aborto. A Igreja não as ajudou quando precisavam de ajuda.
A Igreja poderia ter uma pastoral para olhar o que acontece na rua, no bairro, quais são as meninas ou moças que podem estar em estado de perigo porque estão numa dessas categorias de risco. Poderia acolher ou dar assistência moral e material, dialogar, buscar outras soluções. A experiência mostra que às vezes um simples abraço faz com que desistam de fazer o aborto. O aborto é o resultado da indiferença da comunidade cristã. Somos todos culpados, todos cúmplices por omissão e, em primeiro lugar, teríamos que pedir perdão pelo nosso descuido em lugar de acusar essas mulheres. Era o que se esperava de um documento assinado por bispos, que, afinal, representam o evangelho e a maneira como Jesus tratava os pecadores.
Jesus não condenou os pecadores e o que se espera da Igreja é que tenha muita misericórdia, muita compreensão e que ajude efetivamente essas pessoas que estão numa situação tão difícil. Poderíamos fazer sugestões ao poder legislativo no sentido de criar instituições para responder e tantos casos em que a vida humana está em perigo, e este é um deles.
Não faz sentido dizer que sou contra o aborto e estou defendendo a vida se não faço nada. Não estou defendendo vida nenhuma e o aborto está aí e não faço nada. O governo tem uma lei que criminaliza o aborto e essa lei não se aplica. Só serve para que o aborto seja clandestino, isto é, feito nas piores condições morais e físicas, salvo para as pessoas de boa condição. Essa lei é inaplicável e a Igreja nem se atreve a pedir que ela se aplique. Seria preciso construir milhares de penitenciarias e colocar nas prisões talvez um milhão de mulheres. A Igreja não pede isso e se conforma com o aborto clandestino. Na prática nada faz contra o aborto clandestino.
Existe a alternativa da descriminalização, que é para os nossos defensores da vida a proposta de Satanás. A chantagem dos chamados defensores da vida fez com que todos condenem a descriminalização, como faz a Igreja. Quem sou eu para julgar? Os bispos do Regional Sul 1 acham melhor o aborto clandestino. Quem sou eu para discutir? Porém, teria o direito de pedir mais discrição e mais humildade, porque afinal somos todos cúmplices por omissão se não fazemos nada para prevenir os abortos tão numerosos no Brasil. A condenação é inoperante. Mas uma pastoral da família ou uma pastoral específica para esse problema poderia evitar que muitas mulheres angustiadas e desesperadas tenham quer recorrer ao aborto que nenhuma mulher pede sem chorar. Porque esperar antes de desenvolver essa pastoral?
Então, qual foi o testemunho de amor que a Igreja deu com esse panfleto eleitoral?
José Comblin, grande pecador e cúmplice por omissão.
* Teólogo
Fonte: Adital
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Encontro de 10/11/2010 - Grupo Miriam Dabar
Estudo: Capítulo 5 - Os passos da sabedoria, do livro “Caminhos da Sabedoria”, de Elizabeth Schüssler Fiorenza.
Pontos enfatizados:
- A metáfora da dança exige uma série de instrumentos, treinos, para que a dança aconteça. Esta metáfora é riquíssima.
Método corretivo-revisionista:
- Cada estudiosa/o deve fazer opção sobre as variantes dos manuscritos. Aqui se chama a atenção para variações que mostram a possibilidade do feminino.
- Buscar mais proxmidade ao sentido do texto. Veja-se a dificuldade de se colocar o Espírito Santo como feminino, como é no hebraico.
- Corre-se o risco de se passar sempre uma interpretação kyriocêntrica.
- Construir e revisar para além do texto. Num primeiro momento se tentou dar visibilidade aos textos de mulheres. Agora há a necessidade de nova interpretação, retirando as camadas de dominação e subordinação.
- Na vida religiosa estamos muita aquém, mesmo nas leituras orantes. Quanto conseguimos problematizar? Romper com o dualismo?
- Aparece um déficit de formação...
Método Histórico-reconstrutivo:
- Tem-se medo de quebrar relações, que acabam sendo superficiais, pois não se chega no profundo.
- O método exige relações verdadeiras. Tornar audíveis os sentimentos reprimidos. Ouvir quem está calado.
- Visibilizar as histórias ocultas. A mulher não deve ser vista como oposta ao homem. Ela tem um agir criativo na história. Tem o poder de construir história.
- Por que estou fazendo história assim? Por que faço leitura feminista assim? De fato é leitura feminista? Quais são os pressupostos?
- Teoria e prática devem andar juntas, pela vivência.
- Há a necessidade de um “desarranjo” teórico.
- Mulheres não podem continuar reproduzindo os mesmos esquemas que já estão aí.
Método Imaginativo:
- tentativa de atualizar as narrativas, através de narração livre, dança, canto...
- ligação com as mulheres nos textos bíblicos, explícita ou implicitamente.
- Enquanto brancos puderam aprender a ler e escrever, bem como interpretar a bíblia, os negros não tiveram esta possibilidade, desenvolvendo uma interpretação imaginativa.
- Um jeito diferente de contar a história é perguntar “o que seria se...?”
- Outros jeitos: entrevista com os personagens bíblicos, escrever cartas a eles...
- Importante é estar em contato com os sentimentos e emoções.
- Também dança, colagem, desenho, movimento corporal...
- Midrash: um tipo específico de interpretar, criando textos homiléticos, legais...
- A bíblia não é uma pintura, se parece mais com a palheta de cores que o artista usa para criar uma pintura.
- A leitura midráshica coloca de volta a voz das mulheres na narrativa bíblica.
- O Bíblio-drama: método aberto de interação entre o texto bíblico, a experiência e os sentimentos das pessoas envolvidas, está assim muito próximo da leitura popular feita no Brasil.
- Representações que moldam as consciências e a sabedoria de grupos, comunidades, enraizando-se nas realidades sócio-econômicas.
Método de conscientização:
- Na sociedade houve uma caminhada transformadora. Na Igreja (instituições religiosas) ainda não se chegou ao mesmo patamar.
- Quais mudanças necessitamos fazer.
- Questionar emoções evocadas por histórias kyriarcais. Dar o tempo antes de reconstruir as histórias. As mulheres sentem diferente.
- Criar visões alternativas, formando a resistência, para rejeitar a fixação kyriocêntrica.
- O texto também tem uma função, por isso, deve ser analisado sobre o que supõe e sobre o que passa no silêncio.
Quanto mais se é intelectual e mais difícil fazer a vida encontrar-se com o texto, na sensibilidade. Mais ainda se o grupo está dentro de um esquema clerical.
O povo simples, principalmente as mulheres, entende, sente com o corpo. Para um auto-suficiente é muito difícil entender a bíblia.
A contribuição singular da teologia feminista é esta, a da reconstrução de textos, da linguagem, criar com imaginação...
Um aspecto que ainda encontramos é o peso da culpabilização, do pecado... A cultura introduz e a religião sacraliza.
A proposta é criar uma Igreja de mulheres (não das). Espaço alternativo radicalmente democrático.
Combinações e comunicações:
Pesquisa: passar entre nós os pontos, para que quem puder faça algum encaminhamento.
Não faremos encontro em dezembro.
Final de fevereiro nos reencontramos, com a data a ser combinada por e-mail.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Encontro em 13/10/2010
Iniciamos o encontro como de costume, com uma dança circular, a dança da harmonia.
Lucia recituou o grupo com a proposta do grupo de pesquisa, o qual não substitui o grupo de reflexão. Este grupo de pesquisa segue as orientações da ESTEF, sendo registrado no Cnpq. Passos a serem dados: setembro a novrembro a leitura do material; até janeiro entrevistas. Ainda houve a confirmação das/os integrantes do projeto.
Comentou-se ainda o momento político, onde a candidata à presidência vem sendo atacada, demonizando a sua imagem. A todo custo se quer desfazer a imagem da mulher, colocando mulher contra mulher.
Retoumou-se, para aprofundamento, o capítulo IV de “Caminhos da Sabedoria”, de Elisabeth Schüssler Fiorenza. Buscou-se compreender o que é o androcentrismo, o kyriarcado..., os vários termos que são técnicos. Aparece também uma análise histórica de como estes termos foram construídos e introjetados, havendo aqui necessidade de se ter critérios de análise para ver a realidade. A autora ainda coloca como os vários grupos feministas usam os instrumentais e acentuam os conceitos. A crítica de Fiorenza é ao que sustenta uma estrutura kyriarcal. Tanto homens como as mulheres devem converter-se para surgir uma sociedade onde todos possam conviver em novas relações igualitárias. As relações de dominação deve ser mudada. Não basta desconstruir as introjeções, mas construir algo novo.
As mulheres têm introjeções androcêntricas que as desqualificam por colocá-las a partir de uma característica (mãe).
Na base de todas as relações sociais hoje se encontra o androcentrismo patriarcal, no qual há relações de subordinação e de opressão de gênero, levando a uma relação sexista. Mas essa relação não é a única problemática da sociedade, lembrando o racismo, classismo, imperialismo.
Constroem-se intersecções de opressão, a partir da construção da propriedade econômica, que passa a poderes sociais. O dono, o patrão, o senhor domina tudo. Existem culturas e sociedade em que a mulher é completamente submissa ao “seu senhor” (pai, marido...).
Na Igreja existem estruturas piramidais, nas quais há a possibilidade de diferentes camadas, não caindo no absolutismo, não perdendo, porém, a característica autoritária. Reproduz-se na vida eclesial e na vida religiosa as relações piramidais, perpetuantes na sociedade e na Igreja durante os séculos. O ideal de domocracia ainda não é colocado em prático por repetir um modelo grego, no qual somente alguns, detentores de poder, participavam. Quem está no poder necessita de quem está submisso para legitimar o seu lugar e sua função.
A linguagem é determinante na nossa formação. Há coisas que nem se chega a verbalizar. Falar demonstra que já tomamos consciência.
Por fim fez-se o exercício de situar-se na pirâmide representativa da sociedade, também com quem se solidária/o com outros grupos e pessoas.
Para o próximo encontro, dia 10/11/2010, ficou o estudo do quinto capítulo.
Num momento seguinte voltou-se à organização do grupo de pesquisa. A partir da leitura feita sobre a monografia da Ana Isabel de Moraes Alfonsin (Belinha), sublinhou-se este trabalho como base para início do trabalho. Pessoas para entrevistar: Matilde Cecchin e Ana Isabel de Moraes Alfonsin; Irmã Cristina Zanchetti.
Procurar os relatórios dos encontros da mística feminina, bem como fotos.
Perguntas: como surgiu? De onde surgiu o desejo, anseio? Por que o nome? Participação em que atividade cada uma participou? Quais dificuldades? Resgatar a história e a trajetória do grupo. O que isso modificou na vida pessoal, em que contribuiu para a libertação? Contribuiu para alguma mudança social? Como se sentiam no grupo, que lugar ocuparam?
Como método: uma entrevista aberta, com algumas perguntas elaboradas, mas com espaço de expressão pessoal.
Lucia entrará em contato com a Matilde para convidá-la para uma conversa. Do grupo, quem puder se fará presente.