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terça-feira, 23 de julho de 2013
O ataque à lei que garante atendimento às vítimas de violência sexual
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Poder das mulheres incas
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Universidade católica dos EUA ''desconvida'' teóloga
A reportagem é de Ludovica Eugenio, publicada por Adista, 05-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A Universidade de San Diego é uma instituição católica independente, nascida em 1952, da colaboração entre a arquidiocese de San Diego e a congregação religiosa feminina do Sagrado Coração de Jesus.
A revogação do seu cargo, disse Beattie em uma entrevista ao jornal católico norte-americano National Catholic Reporter, é "um sintoma de algo novo e muito preocupante": "Nunca se ouviu falar, ao menos na Grã-Bretanha, que um teólogo da minha posição se sinta ameaçado por uma ação desse tipo". "Não se trata de uma coisa que tenha a ver comigo. Tem a ver com uma mudança na cultura da Igreja Católica, com a qual deveríamos nos preocupar muito".
A notícia provocou espanto no mundo acadêmico norte-americano e britânico, que, através da voz de eminentes teólogos, definiu o procedimento de "um insulto". Por outro lado, a notícia da revogação chegou a Beattie mediante uma carta da reitora, que acusa a teóloga de "discordar publicamente do ensinamento da Igreja".
"A principal missão do Centro – afirma –, coerentemente com aqueles que o apoiaram financeiramente, é de oferecer a oportunidade de dar corpo à tradição intelectual católica nas suas diversas formas. Isso incluiria uma apresentação clara e coerente dos ensinamentos morais da Igreja, ensinamentos com relação aos quais a senhora, como teóloga católica, expressou sua discordância publicamente. À luz da contradição entre a missão do Centro e os seus posicionamentos públicos como teóloga católica, infelizmente retiro o convite que lhe tinha sido estendido". Na esperança de "mitigar os inconvenientes que essa decisão possa lhe criar", Lyon se oferece para reembolsar as despesas de viagem.
O conteúdo da conferência que Beattie deveria proferir no dia 8 de novembro, por ocasião de uma jornada de conferências do Centro foi removido do site, mas o link para a cópia em cache da página web fornecido pelo NCRrevela que o seu tema – "Visões do paraíso: Mulheres, pecado e redenção na arte cristã" – abordaria a "representação artística do corpo das mulheres" entre a Idade Média tardia e a arte renascentista.
Não é a primeira vez a teóloga tem um compromisso cancelado. Isso também ocorreu em setembro passado, quando lhe foi retirado o convite para falar na Catedral de Clifton, Inglaterra, por ocasião de uma série de conferências pelo 50º aniversário do Concílio Vaticano II. Um mês antes, de fato, a teóloga havia assinado uma carta aberta em favor do casamento homossexual, publicada no jornal Times. Nessa ocasião, a iniciativa não havia sido do bispo da diocese, mas sim da Congregação para a Doutrina da Fé.
"Trata-se de um insulto contra uma eminente teóloga que eu conheço pessoalmente, da qual eu conheço o trabalho e que eu acredito que sempre foi correta nos modos em que expressou e desenvolveu as suas opiniões", afirmou, comentando o caso, a teóloga Jean Porter, professora de teologia da Universidade de Notre Dame.
"É profundamente desanimador – ecoou Eamon Duffy, professor de história cristã da Universidade de Cambridge, em uma carta a Lyons – que a reitora de uma universidade católica caracterize a discussão acadêmica e o debate entre católicos como 'discordância' e que tente suprimir o intercâmbio acadêmico atingindo um único indivíduo que a Igreja não condenou".
"A Igreja está fazendo mal a si mesma com o seu medo de empreender uma discussão verdadeiramente honesta e aberta sobre questões intelectuais, de fé e também problemas de prática e de governo da Igreja", disse Porter. "Penso que vemos cada vez mais os sinais disso: estamos sofrendo gravemente por causa disso. Não posso imaginar, na esfera do debate e da discussão pública, nada mais nocivo para a Igreja do que o que estamos fazendo contra nós mesmos neste momento". "Esta medida – concluiu a teóloga – é apenas mais um sinal do que está se tornando um problema sério e invasivo".
Na realidade, a Universidade de San Diego não é nova em procedimentos desse tipo. Em 2008, ela retirou o convite à teóloga feminista Rosemary Radford Ruether, que deveria lecionar teologia católica no ano acadêmico posterior.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
25 Anos da Rede Mística Feminina no Meio Popular
quarta-feira, 7 de março de 2012
No dia 8: luta e indignação - Nancy Cardoso
Dia de luta dos movimentos internacionalistas de mulheres, o 8 de março nunca foi um dia fácil de engolir! Entre o fim de fevereiro e o começo de março as mulheres socialistas dos inícios de 1900 na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos celebravam seu dia de luta a partir de acontecimentos importantes: greves, manifestações, enfrentamentos!
Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.
O que elas queriam? O que nós queremos?
Abolir a propriedade privada? Com certeza!! Abolir a propriedade privada como base da sociedade que estrutura desigualdades, cria hierarquias de poder e mantém uma sistemática guerra contra a natureza e seus seres. O 8 de março é um dia de luta contra a propriedade privada... também no âmbito das relações sociais, do casamento e da sexualidade. Cama, mesa e banho. É isto mesmo... queremos abolir os poderes de latifundiários, empresários, políticos, patrões, maridos e senhores. Horrorizai-vos! O 8 de março é um dia anti-burguês, contra as ridículas homenagens burguesas que tentam continuar emburrecendo as mulheres com tradição, família & propriedade ou flores, bombons & um laço de fita, ou mitos do amor romântico, da beleza e da maternidade. Horrorizai-vos! é contra tudo isso que lutamos, articulando classe-gênero e etnia na construção de um eco-socialismo feminista.
E a burguesia grita!! "Vocês mulheres, feministas, comunistas querem introduzir a comunidade das mulheres!!" É verdade! Já vivemos assim! Já somos comunidade e construímos na luta nossa unidade entre mulheres do campo e da cidade! Não aceitamos ser reduzidas a instrumento de produção e reprodução do capital, da família e do poder masculino. Nós arrancamos nós mesmas das formas violentas e históricas que querem nos manter subordinadas, minorizadas e desiguais.
Neste exato momento centenas de mulheres camponesas do Rio Grande do Sul estão debaixo da lona preta, debaixo do eucaliptal, num dos 200 mil hectares das multi-imperialistas do agronegócio florestal - Aracruz, Votorantin, Stora Enso, Boise... - denunciando que o deserto verde está impedindo a reforma agrária e inviabilizando a agricultura camponesa.
Neste exato momento as mulheres da Via Campesina e suas crianças morrem de pena das árvores enfileiradinhas, da terra ocupada com nada, do alimento que não brota do chão, da água que não tem mais tempo de molhar. Observadas pela Brigada Militar - seus cavalos e cachorros - as mulheres abençoam o mundo e dormem entre o medo e a solidariedade. Toda a campina se ilumina perdoando as árvores de mentira em sua feiúra. E no escuro, elas se fazem Via... láctea, campesina, revolucionária e planejam hortas, pomares e cozinhas de um plano camponês para o Brasil.
Neste exato momento mulheres fortes, atentas e decididas fazem a segurança do acampamento nas terras da Boise. Quem quiser doçura, carinho, afeto e graciosidade... melhor que escreva sobre confeitarias ou almofadas. O grande amor da vida delas vai misturado com a capacidade de saber endurecer... perdendo a paciência quando precisar.
Elas perdoam as mulheres burguesas e suas mentirinhas, as feministas interrompidas e suas teologias, mas não toleram mais discursos gerais sobre mulheres inexistentes, nem elogios da diferença que não fazem diferença alguma. É por dentro da luta de classes que a luta das mulheres trabalhadoras acontece. É por dentro das mulheres que a luta de classes avança.
Horrorizai-vos! Senhores teólogos. O 8 de março chegou anunciando também- contra toda a esperança! - que os dias do deus-pai estão contados e que há de chegar o dia - e já veio - em que se fará teologia com o coração ardente, contra toda violência e propriedade.
* Pastora metodista. Coordenação nacional da Comissao pastoral da terra-CPT
Eu tenho um nome e me chamo Mulher! Fernanda da Silva
Fernanda Priscila é integrante do projeto Força Feminina e acompanha profissionais do sexo em Salvador/BA. É autora do livro Estações do Crer.
sábado, 17 de dezembro de 2011
TEIAS EM CONSTRUÇÃO
O assunto que abordaremos nesta edição é primeiramente a partilha da minha experiência como mulher estudando Teologia Feminista, as implicações que isso trouxe para a minha vida e as desconstruções que fui fazendo ao longo do processo.
Eu fui criada num ambiente em que o homem era o forte , aquel que cuidava dos negócios da casa e a mulher como aquela subordinada ao homem, dedicando-se ao cuidado do marido, dos filhos e da casa num todo.
Quando comecei a estudar Teologia Feminista fui compreendendo a partir da História e da Palavra de Deus que a mulher sofria muito por causa da divisão que a sociedade estabelecia entre homem e mulher. Mas, percebe-se que hoje em parte isso ainda continua.
As mulheres percebendo toda essa divisão decidem-se escrever um livro-manifesto, com o tema “Não estamos dispostas a calar” contestando a igualdade sacramental na Igreja. Com o tempo elas vão se organizando e criam um grupo de reflexão teológica que foi denominado “Teologia Feminista” isso nas ultimas décadas. Com isso se introduz no círculo hermenêutico a outra metade da humanidade e da Igreja, enriquecendo a experiência de fé, a sua formulação e as suas expressões.
Quando as mulheres decidiram reverter o caminho já trilhado, muitos foram os desafios enfrentados. Um deles é ao falar da questão de gênero muito vista como identidade masculina e feminina e não como uma categoria relacional. E hoje não é diferente, quando se fala de gênero os comentários são “isso é coisa de mulher”. Mas o que se busca é a igualdade. Ninguém é mais por ser homem ou mulher.
Como já comentávamos, na Palavra de Deus vemos muito relatos de experiências de mulheres presas a um sistema que as mantinha sob a dependência de um homem seja ele pai, marido, irmão ou filho, ou seja, ela não tinha direitos nem liberdade perante a sociedade.
Destaco aqui a coragem de Tamar, uma viúva que vai em busca de seus direitos. Tamar pertencia à tribo de Judá. Ela se casa com Her filho mais velho de Judá, esse morre sem deixar descendência. Tamar segundo a lei do levirato casa-se agora com o irmão de Her, Onã, esse vem a falecer sem deixar descendência. Judá ainda tem mais um filho, que deve ocupar o lugar dos irmãos. Judá manda Tamar para a casa de seu Pai até que o ultimo filho Sela cresça. Passa-se o tempo e Judá não cumpre a lei do levirato. Tamar toma uma decisão, vou me vestir de prostituta e me colocar no caminho para Tamna, pois Judá vai tosquiar suas ovelhas. Judá não a reconhece como sua nora e tem relações sexuais com ela. Tamar pede a ele objetos de seu uso pessoal como provas. Tamar fica grávida e mostra que ela foi mais fiel a lei do que Judá. Tamar, como tantas outras mulheres nos interpelam na busca pela descontrução de certas mentalidades impostas. Caro leitor (a) para uma maior reflexão leia o texto na integra – Gn 38,1-26.
Na Bíblia percebemos também fatos que revelam como a afetividade e a sexualidade eram vivenciadas. No livro do Levítico e Cântico dos Cânticos vemos a mulher como pessoa impura por ser filha de uma mulher. O sexo era visto como impuro. Tanto ao dar a luz , ter relações ou estar no período menstrual tornava a mulher impura e isso a impedia de participar das celebrações do templo, tocar nos filhos, maridos e outras pessoas entre outras recomendações. O livro do Cântico dos Cânticos é um livro que retrata um novo olhar sobre a sexualidade humana. A circuncisão era o rito de passagem dos meninos que permitia a ele pertencer ao povo de Deus, ser incluído na aliança. As mulheres não faziam a circuncisão e isso afirmava que a mulher só poderia chegar a Deus intermediada por um homem. Jesus veio quebrar essa barreira. Pelo sacramento do Batismo todos (as) se tornam filhos (as) de Deus, criados (as) a imagem e semelhança de Deus. Os gregos viam o corpo como algo negativo, pecaminoso. Deus criou homem e mulher a sua imagem- sexualidade como sagrada. Jesus pela sua encarnação divinizou o humano e humanizou o divino. Isso diz para nós que em qualquer lugar onde estão o homem e a mulher tanto em casa, na cama ou no trabalho se faz necessário estabelecer relações de igualdade.
Jesus ia ao encontro das mulheres e elas vinham até Ele. Aqui quero destacar o encontro de Jesus com Marta e Maria. Jesus chega na casa de Marta. Marta era quem coordenava a Igreja que se reunia em sua casa. Maria era aquela que simplesmente ouvia. Jesus ao visita-las provoca em Marta certos questionamentos. O que devo fazer, servir ou permanecer passiva? Marta faz um discernimento e Jesus dá a ela uma vocação. Marta vê,crê e anuncia. Maria ouve os ensinamentos de Jesus. Percebe-se neste texto que nos foi que Marta era preocupada com os afazeres de casa – o fazer e Maria aquela que era mais passiva, reflexiva – o ser. Quando percebi que por trás disso tudo está a vocação de Marta, vi um novo modo de perceber as mulheres como protagonistas em uma comunidade, que questionam e buscam entender a sua missão.
Muito foi o que aprendi a partir da visão feminina da Bíblia, de que tudo o que está escrito tem algo a nos transmitir, traços marcantes na história do Povo de Deus.
Caro leitor (a). Que bom saber que você nos acompanha a cada nova edição. Espero que a minha partilha tenha enriquecido a maneira de se relacionar num discipulado de iguais de irmãos ((as) criados a imagem e semelhança de Deus. Obrigada pela sua atenção. Até a próxima edição trazendo para você assuntos de grande importância no nosso mundo teológico.
Pela edição: Karina Skorek
Este foi o trabalho de síntese – avaliação G2 – da disciplina de Teologia Feminista orientada por Lucia Weiler no Curso Básico de Teologia, na ESTEF – 2011.